Eleições Europeias [7 de Junho de 2009]:
- O início que o PSD precisava, depois de anos de andar à derivada, Manuela Ferreira aposta a sua liderança numa escolha pouco consensual e ainda menos compreensível, pois Paulo Rangel era o seu líder de bancada, um dos poucos que lhe aparava os golpes. A jogada resultou, durante 2 meses, Manuela Ferreira Leite gozou do seu momento de glória, fazendo renascer esperança e lançando Paulo Rangel como seu possível delfim;
- O PS sofre uma derrota pesada, cabeças não rolam, mas a posição de José Sócrates degrada-se, a escolha de Vital Moreira para cabeça-de-lista não surtiu o efeito esperado no sentido de se tentar jogar à esquerda. Vital foi fraco, pouco entusiasmante e os seus adidos políticos (Edite Estrela, Ana Gomes e António Correia de Campos) também não foram brilhantes;
- Ninguém parou o Bloco de Esquerda, e toda a gente pensava que esta winning streak se iria manter, Francisco Louçã usou do seu poder de retórica e associou-se a um Miguel Portas que lhe também se apresentou bem. Apresentaram caras novas que refrescaram a imagem deste Bloco Europeu, muito embora de não se reconhecerem quaisquer méritos políticos a Marisa Matias. O partido da moda conseguiu reforçar esse status.
- Foi complicado engolir ser-se engolido por um Bloco de Esquerda fashion, mas tem-se de perceber de que quando um carro chega aos 15 anos e já se passou os 200 mil quilómetros está na altura de se comprar outro carro, e este carro da CDU (liderado por Ilda Figueiredo) à muito tempo que passou do prazo. As caras não mudam muito e o discurso é mesmo desde o 25 de Abril.
- O CDS lá sobreviveu às sondagens, à falta de protagonismo político, mantiveram os deputados, muito embora Nuno Melo tivesse de correr, saltar, lutar, tudo para conseguir um resultado que no fundo não deixou de ser bom. Paulo Portas teve de dar o corpo às balas e ao mesmo tempo polir um bocadinho Nuno Melo.
- Após uma campanha relativamente bem concebida e sem cometer erros desnecessários, José Sócrates aguentou a pressão e conseguiu surpreender pela forma como venceu. É certo que foi sem maioria, mas onde muita gente sucumbiria, ele manteve-se firme e hirto. Não foi brilhante nos debates, manteve coerência no programa, muito embora soubesse que isso iria fazer com que perdesse votos. Posto isto, agora adivinha-se o trabalho dificil e delicado, pois governar sem maioria, sem grande disponibilidade por parte da oposição para grandes compromissos ou acordos e com um Presidente da República não muito cooperante, não é o melhor dos desafios, ainda mais quando ninguém espera que o governo dure mais de 2 anos.
- O cantar de cisne de Manuela Ferreira Leite nas Europeias não se aguentou até a estas eleições, Cavaco deveria ter estado calado e a própria campanha deveria ter sido feita de forma mais profissional. O resultado espelhou não só um Presidente que tentou salvar a sua delfim, de um programa mal concebido e dúbio e de um partido ainda com feridas para sarar. Pedro Passos Coelho, Luís Felipe Meneses e os consecutivos 'tiros nos pés' foram fatais a que Manuela Ferreira Leite tivesse sequer esperanças em obter um bom resultado eleitoral.
- Paulo Portas, não ousou e deu-se bem, 4 anos depois dos 2 dígitos e de ficar à frente ou atrás de trotskistas e comunistas, ganhou juízo, foi humilde, batalhou, apresentou-se como líder de um partido responsável, algo que o fez ganhar a Louçã e a Jerónimo. Foi o melhor nos debates, correu o país de lés-a-lés, mesmo em zonas que não lhe são favoráveis. O CDS foi o partido que mais deputados ganhou e assegurou deputados em distritos à muito perdidos.
- O Bloco de Esquerda passou de partido da moda a desilusão numa hora! Foi quando brilhantemente José Sócrates começou a desfiar o rol de propostas do programa de Governo do Bloco de Esquerda. A partir desse debate, Francisco Louçã nunca mais se encontrou, até a feiras foi e pelos vistos não gostou. Os regozijos de alegria e confiança das europeias transformaram-se em frustação nas legislativas. Talvez seja a hora de Miguel Portas começar a pensar em sair do estágio no Parlamento Europeu e colocar o pessoal da Política XXI à frente do Bloco e fazer descansar o pessoal do PSR.
- O PCP aka CDU entrou definitivamente em crise no plano nacional, distritos tradicionalmente comunistas passaram para PS e PSD, o que em certa medida é uma humilhação, Jerónimo de Sousa não puxa carroça e a gente nova não tem provas dadas. Ficar atrás de CDS e Bloco não só é uma derrota política como um sapo dificil de engolir para muita gente dentro do partido/coligação, pois os alguns dos renovadores despejados conseguiram emprego num partido que já consegue ser mais votado que eles próprios. É o que dá quando se usa sempre as mesmas pessoas, o mesmo discurso e o mesmo programa, não basta reciclar, é preciso criar de novo.
- PS ganha Lisboa, perde Sintra e Porto onde investe forte devida a uma grande falta orientação e discernimento, ao colocar eurodeputados em situações delicadas e ao criar uma dupla política de duplas-candidaturas. Ainda assim, ganhou um largo número de câmaras a PSD e CDU. Teve Lisboa, mais votos, mais mandatos, mas menos câmara, ou seja, um agridoce (a descair mais para o doce).
- Não consegue Lisboa, muito embora Santana Lopes como sempre tenha renascido politicamente, perde algumas câmaras importantes como Leiria, mas ganha Faro e retém Porto, Gaia e Santarém. Não dá para contabilizar eficazmente os votos devido às coligações nomeadamente com o CDS, mas no fim, poderia ter sido pior.
- A CDU mantém o feudo no Centro Sul do País, perde algumas câmaras, consegue reter Almada e Setúbal, muito devido a certos dinaussauros que não poderão concorrer em próximas eleições autárquicas. Vamos ver o que vai dar.
- O CDS mantém Ponte de Lima, sem Daniel Campelo e com maioria absoluta, muito embora inúmeras coligações tenham sido estabelecidas com o PSD é necessário voltar a ganhar peso autárquico. Deve-se reconhecer no entanto a súbida que o partido registou ao nível de votos e de mandatos.
- Ignorando as dúvidas e acusações de corrupção e os rodeos, o Bloco de Esquerda consegue manter Salvaterra de Magos, perdeu vereador em Lisboa e não consegue eleger o seu primeiro no Porto. Nem tudo vai bem, no mundo do charro!







